Militares utilizam Facebook para compartilhar informações com os moradores e comerciantes; plano ainda prevê aparatos de segurança
Página compartilha informações da Polícia Militar com moradores e comerciantes da região Leste de BHDivulgação / Facebook
Preocupada em se aproximar das pessoas, a Polícia Militar está investindo pesado para tornar a tecnologia um aliado na luta contra o crescimento da violência. Após anunciar projetos para receber pedido de socorro por torpedo e dividir informações com a comunidade em um site, a PM se rendeu às vantagens de redes sociais e e-mails.
Através de uma página do Facebook (facebook/pmcidadenovauniao), moradores e comerciantes dos bairros União e Cidade Nova, na região Leste da capital, podem se informar sobre a presença de suspeitos e ações da PM. “A gente trabalhava sozinho, as informações pertenciam apenas à polícia. Passamos a envolver as pessoas e criamos mecanismos para ampliar a interação com os militares”, explica o tenente Hebert Santana, responsável pelo projeto na região.
Em uma das atualizações, a PM avisa que houve uma queda de 60% no número de crimes violentos no Cidade Nova. “Em vez de apenas empenhar três viaturas para procurar um suspeito em diversas ruas, posso ter o auxílio de 100, 500 comerciantes”, diz Santana.
As tentativas da PM de ampliar a interação e a comunicação com a comunidade são comemoradas por especialistas, mas com ressalvas. “Esses canais devem ser institucionalizados para que não sejam usados de forma inescrupulosa e para que a segurança do denunciante seja garantida. É preciso ainda ter um investimento para que esses canais não caiam em desuso”, diz o especialista em segurança pública, Robson Sávio.
Novas armas
A PM desenvolve projetos para se adequar às novas tecnologias e combater a criminalidade. No entanto, ainda não está garantida a consolidação dessas ações.
Pedido de socorro por SMS - Ainda em fase de projeto, a PM estuda viabilizar a chamada de emergência por mensagem de celular, hoje feita apenas pelo número 190. Modelos da Europa e dos Estados Unidos estão sendo estudados.
Redes sociais e e-mails - Já em funcionamento (e com resultados positivos), as redes sociais e os emails são usados pela PM para compartilhar informações, como características de suspeito, por exemplo.
Rede Vizinhos Protegidos pela internet - O já consolidado projeto ‘Vizinhos Protegidos’ pode ser expandido para a internet. A página já está pronta e na fase final de testes.
Projeto inclui dispositivo ‘secreto’
No início deste mês, a atriz Cecília Bizzotto Pinto, 32 anos, foi assassinada durante um assalto à casa dela, no bairro Santa Lúcia. Segundo as investigações, os criminosos atiraram após ela tentar ligar para a polícia. Se o projeto que está sendo implantado nos bairros União e Cidade Nova estivesse difundido em toda capital, a tragédia poderia ter sido evitada.
Além da interação em rede social e e-mail, o plano de segurança inclui dois dispositivos de segurança: um botão de pânico secreto e uma sirene. O primeiro é um aparato pequeno, que pode ser guardado no bolso da calça, e, quando acionado, o vizinho é avisado do perigo. Em segurança, ele pode chamar a polícia e ainda coletar informações úteis do assalto.
Já o segundo é uma sirene que pode ser acionada por um controle remoto e alerta um perigo para toda vizinhança. “A sirene só pode ser acionada quando o suspeito está na rua, planejando agir. O objetivo é avisar todos e assustar o criminoso. Se for acionado durante um assalto, pode deixá-lo nervoso”, explica o tenente Hebert Santana.
Os aparelhos são custeados pelos moradores. Dividido por um grupo de dez pessoas, o botão de pânico sai por R$ 30 e a sirene, com os controles remotos, por R$ 14. O projeto é desenvolvido por etapas. Até agora, apenas a rua Alberto Cintra, no bairro União, já dispõe de todos os dispositivos. “Cerca de 20 comerciantes estão com os aparatos e participam da discussão. Desde que começou o plano, em junho, não registramos nenhum crime violento na rua”, diz Santana.
O projeto deve ser expandido para outros bairros e vias da região Leste da capital, como a avenida Silviano Brandão.
Fonte: band.com.br
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